Inflação e juros em queda e economia esboçando alguma recuperação. É nesse cenário que começam a surgir algumas perguntas na cabeça dos lojistas.

Devo abrir ou não uma loja nova? Em qual região? Qual será o potencial de vendas do local escolhido?

Para Marcel Caparoz, economista-chefe da RC Consultores, antes de responder a qualquer uma dessas perguntas é preciso saber onde está o cliente.

Com base em dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), do Ministério do Trabalho, Caparoz fez um levantamento capaz de dar algumas pistas para os comerciantes.

Em 2010, no auge da expansão econômica, foram criados 653 mil empregos no Estado de São Paulo. Foi um dos melhores anos para o comércio.

Sete anos depois de o país viver a mais intensa e longa recessão da sua história, o saldo entre contratações e demissões ficou negativo, com a perda de 24 mil empregos no Estado em 2017.

Quando considerados os empregos por faixa salarial, porém, há algumas surpresas. Há regiões dentro do Estado que estão bem melhores do que outras.

Veja só. Na faixa de até 1,5 salário mínimo (R$ 1.431), o saldo entre contratações e demissões foi positivo em 263 mil empregos no Estado de São Paulo em 2017.

Esses empregos foram criados, principalmente, em São Paulo (96.522), Campinas (17.360), Sorocaba (9.339), Guarulhos (8.059), Jaboticabal (7.774), Osasco (7.473), Jundiaí (6.103), Araraquara (5.734) e Bauru (3.799).

Na faixa entre 1,5 e 4 salários mínimos, o mapa do emprego já é outro. O saldo entre contratações e demissões foi negativo em 187 mil empregos em 2017.

Entre as cidades que mais perderam empregos nessa faixa salarial estão exatamente algumas daquelas que mais criaram na faixa até 1,5 salário mínimo.

Em Campinas, o saldo ficou negativo em 12.096 empregos, em Guarulhos, em 6.702, em Ribeirão Preto, em 5.464, em Itapecerica da Serra, em 4.683, em Araraquara, em 2.012 e, em Bauru, em 1.956 postos de trabalho.

Somente na microrregião que envolve a cidade de São Paulo, esse número ficou negativo em 70 mil empregos. Na faixa acima de quatro salários mínimos o quadro é ainda pior: foram dizimados quase 100 mil empregos em 2017.

Para Caparoz, a conclusão é que quem foca no público de mais baixa renda pode ter melhor resposta de venda neste processo de recuperação econômica, em algumas cidades do interior.

A situação do emprego é muito frágil na faixa acima de quatro salários mínimos. A classe média, portanto, continua com poder de compra bastante deprimido.

O mapa do emprego, de acordo com Caparoz, pode e deve ser o guia para os comerciantes que estão em busca de novos clientes.

Foto: Paulo Cesar Rocha/pcrphotosampa

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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