No final de semana fui com meu filho comprar e trocar figurinhas do álbum da Copa nas proximidades de uma banca de revistas em Ribeirão Preto (SP).

Todo o quarteirão onde estava localizada a banca se transformou em um grande mercado de troca.

Ali se concentram barracas, guarda-sóis e simples mesas de plástico, que serviam de ponto de encontro de pessoas de todas as idades e faixas de renda.

O objetivo de todos era um só: completar o álbum de figurinha da Copa.

Via-se palmeirenses e corintianos empolgados com a negociação, esquecendo qualquer rivalidade, que poderia ter sido potencializada com a recente final entre os dois times.

Adolescentes e idosos utilizavam aplicativos em smartphones para gerenciar as figurinhas que já possuíam. Crianças empolgadíssimas na hora de abrir os envelopes, sempre à espera daquelas mais difíceis.

Nem o sol, e depois o chuvisco de um domingo à tarde espantaram as pessoas.

Ir até esse e outros pontos de troca de figurinhas se tornou uma grande diversão para a família, talvez num dos ambientes mais seguros e democráticos da época recente.

Não há venda de bebida alcoólica, drogas. Não se cobra entrada. Todos são bem-vindos. E as regras de troca são construídas e respeitadas naturalmente.

Fiquei por algumas horas ali, não houve uma discussão, reclamação, não observei ninguém triste, chateado.

Ao contrário, todos saíam dali felizes com a experiência que viveram e que, certamente, logo iriam querer repetir.

Passei alguns dias refletindo sobre esse fenômeno e, principalmente, qual seria o aprendizado para os lojistas, que lidam diariamente com esse mesmo público.

Nunca foi tão difícil e caro trazer um cliente para loja: o nível de exigência cresceu demais, sem que o real poder de compra pudesse acompanhar em nosso país.

É necessário investir em novas mídias, internet, deixar a loja bonita e organizada, treinar a equipe e, mesmo assim, é raro encontrar clientes saindo de lojas tão felizes quanto os que encontrei nas ruas de Ribeirão Preto, após a troca de figurinhas.

Algumas pistas do sucesso do que está acontecendo nas calçadas:

  • Independentemente de sexo, idade, renda, todos têm um mesmo objetivo: completar o álbum
  • Para participar da diversão, basta ter figurinhas… o investimento é baixo
  • As regras para a troca são definidas pelos próprios usuários… não estão escritas em nenhum lugar, mas todo mundo entende e respeita
  • O relacionamento é direto, pessoal… o velho e desejado calor humano
  • O ambiente é de confiança e respeito: os dois lados entregam as figurinhas repetidas nas mãos do outro e esperam para finalizar a troca
  • As recompensas são imediatas… trocou, pronto, você tem o que desejava
  • Os smartphones são meras ferramentas, não o centro da diversão

O Jundiaí Shopping não perdeu tempo. Criou um espaço somente para a troca de figurinhas, e ainda oferece um pacote grátis para cada cliente que apresenta o seu álbum.

Mais do que aproveitar uma oportunidade, com essa ação simples, o shopping gera fluxo de clientes, mostra-se sintonizado com o que está acontecendo nas ruas, e ganha a simpatia do público, que não precisa ficar exposto ao sol e à chuva para trocar suas figurinhas.

A Copa está chegando, e com ela um mundo de oportunidades. Recomendo que os varejistas corram, pois logo a febre passa.

Não dá para esperar mais quatro anos para colocar ideias em prática.

 

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Escrito por gustavocarrereditor

1 comentário

  1. […] Em grande medida, o preço justo ajuda a explicar a febre das figurinhas que está ocorrendo nas ruas, praças e shoppings centers, assunto já abordado pelo Varejoemdia em matéria recente. […]

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