A franquia tem sido uma das formas mais utilizadas para quem quer empreender.

Nome já conhecido, modo de operar e público estabelecidos são algumas das vantagens geralmente consideradas.

Apesar de o peso de uma marca ajudar bem na hora de vender, o sucesso de uma franquia depende – e muito – do trabalho do franqueado, de acordo com especialistas.

Um dos primeiros enganos que o empreendedor comete é achar que empreender significa não trabalhar mais.

“Não adianta achar que com uma franquia o dinheiro vai ‘pingar’ todo o mês na conta”, diz Rodrigo Palermo de Carvalho, consultor de varejo do Sebrae SP.

O empreendedor precisa, diz ele, fazer uma autoavaliação. Isto é, ter bem claro o porquê de investir e saber que vai ter de trabalhar muito para o negócio dar certo.

Estender o horário de atendimento é uma das ações que os franqueados adotam para se diferenciar e elevar o faturamento em momentos de aperto no bolso dos consumidores.

O empreendedor, portanto, precisa estar preparado para as eventuais “horas extras”.

É frequente o interessado achar que, porque tem um hobby, como cozinhar bem, tem o perfil para ter uma franquia de alimentos ou abrir um restaurante.

“Ter afinidade é uma coisa. Entender o trabalho e o processo da operação é outra. Uma coisa é gostar de carro, outra é ser dono de um centro automotivo”, diz Carvalho.

É muito comum entre os interessados em abrir uma franquia chegar às redes e perguntar: “O que está dando dinheiro?”

“Não existe um segmento no ramo de franquias que é melhor do que outro. O que faz o negócio dar certo é a dedicação”, afirma André Friedheim, vice-presidente da ABF (Associação Brasileira de Franchising).

O questionamento sobre o que dá lucro explica, em parte, os modismos que podem ser observados nos corredores dos shoppings e nas ruas do país: uma onda de paleterias, brigadeirias, hamburguerias, bolos caseiros, foodtrucks.

“Um monte de gente abre loja por impulso. Depois de um tempo, fecha tudo; uma por uma”, diz o consultor do Sebrae SP.

O cuidado na hora de abrir uma franquia também vale para o lado do franqueador, de acordo com Carvalho.

“Não dá para pensar somente em abrir loja e, se o franqueado não der certo, é só transferir a unidade”, diz. Experiências revelam que não é tão fácil assim.

Veja abaixo as principais dicas para quem quer entrar em um mercado de cerca de R$ 163 bilhões, em 2017, e que cresceu 8% em relação a 2016.

Quase 2.900 redes atuam no setor de franquia no país, com 146.134 unidades. Elas empregam 1,2 mil pessoas.

  • Conversar com que está no ramo, saber ouvir críticas e seguir as regras de quem conhece o negócio

“O franqueado pode fornecer informações valiosas e concretas sobre a operação, os aspectos financeiros que a permeiam, o mercado e como é o relacionamento com a rede franqueadora”, afirma Melitha Novoa Prado, consultora especializada em relacionamento de redes, do escritório Novoa Prado Consultoria Jurídica.

  • A preparação para o negócio dar certo tem de ser feita dos dois lados

Quem compra uma franquia não vai receber todas as soluções prontas de como gerir os negócios.

O que as redes fazem é indicar fornecedores, desenvolver campanhas de marketing e ajudar no aspecto coletivo do empreendimento.

“Não é obrigação de o franqueador cuidar da administração de pessoal, do fluxo de caixa e da contratação de funcionários. As redes orientam, mas o empresário é que tem de ir para o mercado, aprender, inovar e se preparar”, diz Prado.

  • Ler e entender a lei de franchising, o código de defesa do consumidor e como atender bem o cliente é um bom começo

A franquia já deixou de ser vista como segundo negócio e passou a ser o principal.

“E os franqueados que obtêm melhores resultados são aqueles justamente que estão à frente de suas unidades. Sabem lidar com RH, finanças, logística, controle de estoque. É polivalente”, afirma o vice-presidente da ABF.

  • Os franqueados também têm de aprender a ler os dados, as informações do dia a dia e usar a tecnologia a seu favor

“No varejo a tomada de decisão tem de ser rápida. Entender os números faz total diferença. Se percebo que os itens de menor valor vendem mais no feriado, vou colocá-los com destaque no próximo feriado”, diz Friedheim.

“Se o faturamento caiu na primeira semana drasticamente, tenho de me mexer. Não dá para esperar até o fim do mês.”

As redes, por sua vez, podem investir mais em treinamento, encontros de empresários de diferentes regiões para troca de experiências, além de dar voz aos franqueados para que possam sugerir melhorias para o sistema coletivo do negócio.

Foto: ABF/Divulgação

 

 

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Escrito por Claudia Rolli

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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