A greve dos caminhoneiros, com bloqueios em estradas em diversos Estados, teve forte impacto em vários setores da economia e deve afetar a inflação e o crescimento do país neste ano.

Apesar de a paralisação perder força em algumas regiões do país, os estragos são enormes no agronegócio, na indústria, no comércio e no setor de serviços.

Somente em dois segmentos do varejo, combustíveis e supermercados, o prejuízo nas vendas é de ao menos R$ 3,1 bilhões, segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

A confederação considerou nessa conta as perdas em cinco Estados e no DF, durante oito dos nove dias de paralisação. Mas já alerta que o dano pode ser ainda maior.

A situação deve demorar ainda cerca de 10 a 15 dias para voltar à normalidade, mesmo com o abastecimento de combustíveis sendo retomado, desde ontem à noite (dia 29), em algumas regiões do país.

Preocupadas com os reajustes de preços e as consequências para a inflação, várias entidades do comércio estão pedindo aos comerciantes para manterem os preços estáveis.

Caso da CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas) e da Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

AS PERDAS

O cálculo da CNC, de perdas de R$ 3,1 bilhões, considera a queda nas vendas de  combustíveis, estimada em R$ 1,42 bilhão, e a de supermercados, hipers e minimercados, com perda de R$ 1,73 bilhão.

Produtos hortifrútis e de origem animal foram os mais afetados pelos bloqueios nas estradas. A greve atingiu a cadeia inteira da produção de frangos e suínos – da entrega de ração ao abate e distribuição para os pontos de venda.

Os valores calculados pela CNC contabilizam a paralisação em SP, MG, RJ, PR, BA e DF. Essas regiões juntas correspondem a 56% do faturamento dos dois segmentos no país.

Nas contas da Fecomercio SP, o varejo perde R$ 1,8 bilhão por dia no Estado de São Paulo. Na capital paulista, são R$ 570 milhões.

“O prejuízo nas vendas dos bens não duráveis, como alimentos, remédios e gasolina, pode ser visto como um primeiro alarme”, informa a federação. “Se essa crise persistir, o problema pode se estender para as vendas de bens duráveis como veículos, eletrodomésticos e materiais de construção, gerando uma crise geral para o setor.”

Com a crise no setor de combustíveis, os economistas já refazem as contas e revisam suas projeções para este ano.

O Santander estimou em 0,7 ponto percentual o impacto dos protestos no cenário atual  e reviu para baixo a previsão de crescimento do país. A expectativa anterior de 3,2% para o ano recuou para 2%.

A CNC também encolheu a expectativa de vendas do varejo de 5,4% para 4,7% neste ano.

Uma semana após a greve, os economistas consultados no boletim Focus, do Banco Central, aumentaram a previsão de inflação de 3,5% para 3,6% no ano.

Para André Perfeito, economista-chefe da corretora Spinelli, os juros devem começar a subir a partir de outubro, com a Selic passando dos atuais 6,5% para 7% ao ano.

“Os desdobramentos das últimas semanas nos dão conta que o Copom talvez não tenha opção a não ser elevar a Selic já neste ano”, diz o economista.

PREÇO SEM REAJUSTE

Enquanto o mercado financeiro e as associações empresariais estimam o tamanho do estrago causado pela greve, as entidades que representam o varejo pedem aos lojistas para não reajustarem os preços, com aumentos abusivos.

Após receber uma carta do ministro da Justiça, Torquato Jardim, pedindo para os supermercados não aumentarem os preços dos produtos, a Abras soltou comunicado reforçando que “a prática abusiva nos preços sempre foi uma preocupação” da entidade. (leia aqui a íntegra da carta )

A Abras informou que entrou em contato com suas 27 associações estaduais de supermercados para pedir atenção ao tema.

A CNDL também divulgou nota no mesmo sentido.

“Prudência e senso de coletividade são fundamentais neste momento. Reprovamos qualquer iniciativa dos que queiram se aproveitar da preocupação dos brasileiros com o desabastecimento de itens perecíveis para aumentar o preço de produtos, em especial os de primeira necessidade”.

O apelo dos representantes do setor para segurar o repasse faz sentido quando se olha o que aconteceu principalmente nos postos de gasolina do país.

O preço da gasolina disparou. Um levantamento da ValeCard, empresa especializada em gestão de frotas, mostrou variação de até 99,85% no preço por litro da gasolina entre postos do Brasil.

No levantamento, feito durante o quarto dia de paralisação, o preço variou de R$ 3,40 a R$ 6,94.

O QUE FAZER?

O Sebrae-SP preparou uma lista de recomendações para orientar os lojistas e ajudar a minimizar os efeitos da paralisação nos custos.

Além de reforçar o pedido para não cobrar preços abusivos, as dicas para os comerciantes são buscar fornecedores mais próximos, fazer entregas com meios de transportes alternativos – quando isso for possível – e renegociar prazos para esperar a situação se normalizar.

Foto: Paralisação na via Anchieta próximo da entrada para o Rodoanel, em São Bernardo do Campo – SP. 27 de maio de 2018

Crédito:  Roberto Parizotti/ Fotos Públicas

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Escrito por Claudia Rolli

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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