Há quatro anos, o aluguel de uma loja de 360 metros quadrados na badalada Rua Oscar Freire, nos Jardins, rendia para o proprietário R$ 90 mil por mês.

A crise econômica chegou, o dono do imóvel insistiu em manter o valor, e ficou com a loja vazia até agora. Recentemente, reduziu o preço para R$ 60 mil.

É provável que o espaço seja locado para uma pop up, uma loja temporária. O contrato entre locatário e locador, porém, ainda não está fechado.

Na Rua José Paulino, no coração do Bom Retiro, uma loja de 60 metros quadrados era alugada por R$ 17 mil em 2013. Hoje, o atual inquilino paga R$ 12 mil mensais.

Exemplos como esses se multiplicam nas ruas de comércio espalhadas por São Paulo.

A crise que abateu o país a partir de 2014 ainda está firme e forte, mantendo os preços dos aluguéis entre 10% e 20% menores, em média, do que há quatro anos.

Há casos, e não são poucos, com redução de preços maiores, como nos exemplos acima.

“A retomada dos preços da locação não será do dia para a noite”, diz Reinaldo Fincatti, diretor da Embraesp, empresa de consultoria especializada em estudos e avaliações de imóveis.

Especialistas em imóveis comerciais dizem que, na verdade, a crise acabou trazendo os preços da locação para números bem mais reais.

De 2008 a 2013,  a valorização de alguns espaços comerciais atingiu 20% ao ano.

“Chegou a patamares de preços irreais”, afirma Caterina Bilenky, gerente comercial da Sinai, imobiliária especializada na região do Bom Retiro.

Antes da crise, quem tinha mais força no mercado de locação de imóveis era o locador, pois a oferta em bons lugares era menor do que a procura. Hoje, o poder é do locatário.

Por essa razão, quem tem interesse em abrir uma loja ou expandir o seu negócio tem boas ofertas em ruas que antes era praticamente impossível achar um imóvel vago.

Josué Medina, sócio-diretor do Empório Medina, especializado em produtos do Nordeste, aproveitou a redução de preços para expandir seu negócio.

Com seis lojas nas zonas Oeste e Norte de São Paulo, ele conseguiu um ponto na vila Nova Cachoeirinha, que antes da crise era difícil achar.

Vale a dica. “Trabalho sempre com o pé no chão. Não alugo imóvel que o aluguel passa de 2,5% do faturamento da loja”, diz ele.

A Sinai possui 200 lojas disponíveis para locação no bairro do Bom Retiro e outras 50 na região do Brás.

A Adriano Gomes Negócios Imobiliários possui 25 espaços para alugar na região do Jardins, com preços que variam de R$ 100 a R$ 250 o metro quadrado.

Quando a economia ia bem, o metro quadrado da locação na Rua Oscar Freire chegava a R$ 400, de acordo com Adriano Gomes, proprietário da imobiliária.

De acordo com ele, dá para dizer que o mercado imobiliário nos Jardins está mais movimentado neste ano. “A procura aumentou”, diz ele.

No dia 21 de junho, a Calvin Klein abriu a sua primeira flagship store em São Paulo. Localizada na rua Rua Oscar Freire, a loja ocupa um espaço de 700 metros quadrados.

“Há marcas saindo do Brasil, sim, mas há outras entrando, um bom sinal”, diz Gomes.

Valentina Caran, presidente do grupo Valentina Caran Imóveis, diz que alguns pontos em ruas tradicionais de comércio e com movimento continuam sendo disputados.

Um ponto de 135 metros quadrados, embaixo de um prédio residencial, na Avenida Paulista, estava sendo disputado recentemente por 100 clientes.

“Um ponto bem localizado sempre vai ser procurado”, diz Valentina Caran.

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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