Ano de eleições presidenciais deixa sempre o empresariado mais ansioso.

E essa ansiedade cresce na medida em que não há ideia de quem possa ser o novo presidente e quais serão as suas prioridades.

As reformas tributária e previdenciária vão acontecer? Quais são as propostas para redução do déficit público, combate à corrupção no setor público, melhoria da saúde, da educação?

Na economia, a meta de inflação será mantida, o que será feito para manter uma economia estável, capaz de aumentar os investimentos locais e de fora?

Neste ano, a pouco mais de dois meses das eleições, nenhum dos candidatos à presidência parece ter a preferência esmagadora dos donos dos negócios – e até mesmo da população.

As propostas dos que mais se destacam na preferência dos eleitores não são claras a ponto de responder a todas as questões colocadas acima e outras.

Como vai ficar a economia e o consumo com um presidente de esquerda, de direita, de centro ou que combine algumas dessas políticas?

É isso o que todo o empresariado quer saber para poder tocar o seu negócio.

Considerando as propostas ditas e publicadas, o economista Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, fez um exercício que dá pistas sobre os efeitos de Jair Bolsonaro (PSL) no comando do país.

Sem a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro é quem lidera a preferência do eleitorado para ocupar a presidência da República.

“Bolsonaro não tem, pelo menos até agora, propostas firmes para ajuste fiscal, reforma da Previdência. Com ele, o cenário é de um governo fraco e de volatilidade no câmbio, com os seus efeitos”, diz.

Em números, isso significa, para 2019, uma taxa de câmbio ao redor de R$ 4,50, inflação próxima de 6%, taxa de juros básica de 9%.

O PIB (Produto Interno Bruto), se crescer, cresce 0,5% e o varejo, 1%. “Bolsonaro é sinônimo de volatilidade, considerando o que ele já divulgou e tem dito em entrevistas”, diz Silveira.

Essa volatilidade, de acordo com o economista, está relacionada com a falta de clareza nas propostas.

“Ele diz que é a favor de privatizações, mas não de setores estratégicos. Quais setores são ou não são estratégicos para ele?”

Bolsonaro tem dito que não pretende negociar com líderes de partidos.

“Isso sugere que ele deve começar com um governo fraco, que deve se tornar cada vez mais fraco por causa da dificuldade de relacionamento com o Congresso.”

Sem Bolsonaro na presidência do país, tudo indica, na avalição de Silveira, que a economia terá números um pouco melhores em 2019, independentemente de quem vencer as eleições.

Isso considerando um candidato de centro, centro-direita ou centro-esquerda que seja favorável às reformas que o país precisa e que mantenha o chamado tripé econômico.

Isto é, taxa de câmbio flexível, respeito às metas de inflação, compromisso com ajuste fiscal, sem impor restrições às privatizações.

A taxa de câmbio deve ficar em R$ 3,80, inflação em 4% e taxa Selic em 7,5%. O PIB cresce 2,5% e o varejo, 2,8%, de acordo com Silveira.

Para o sócio-diretor da MacroSector, o ideal para o país é que o próximo presidente seja maleável, flexível, articulador, pacificador, com trânsito em vários setores e respeitado por partidos do centro, da direita e da esquerda.

“O Bolsonaro se mostrou, pelo menos até agora, que não será alguém com esse perfil”, diz.

Uma economia que não cresce, diz ele, não atrai investimentos, não produz, não emprega. “É tudo o que a população não quer ver no Brasil.”

CONVERSA COM OS CANDIDATOS

No dia 14 deste mês, a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) promove, em Brasília, o evento Diálogo com os candidatos à Presidência da República.

Mais de 500 líderes e empresários destes setores receberão os candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de opinião para as eleições de outubro.

O evento será aberto à imprensa e transmitido ao vivo para todo o Brasil pelas oito entidades que compõem a Unecs, impactando diretamente cerca de 500 mil empresários.

No encontro serão abordados temas ligados aos setores de comércio e serviços, tendo como pano de fundo um país melhor para se viver e onde empreender seja mais simples.

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

1 comentário

  1. […] próxima de 6%, a taxa de câmbio passa de R$ 4, permanecendo ao redor de R$ 4,50, e Selic, de 9%. Clique aqui para ver matéria […]

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