Nos últimos anos, o mercado de meios eletrônicos de pagamento vem passando por profundas transformações.

E isso não acontece somente por causa das inovações tecnológicas e da mudança de hábito de consumidores e lojistas, cada vez mais adeptos dos cartões de crédito e débito.

Mas, também, devido a alterações regulatórias que incentivaram a concorrência do setor e proporcionaram redução dos custos da modalidade para os estabelecimentos comerciais.

Para realizar vendas no cartão, o comércio tem de lidar, principalmente, com dois custos: o do aluguel das maquininhas e o da taxa que incide sobre o valor de cada transação, chamada taxa de desconto.

Até 2009, quando as credenciadoras, donas das maquininhas, nem precisavam fazer muita publicidade – já que se tratava de um mercado dominado por apenas duas empresas que detinham, cada uma, o monopólio das transações das duas principais bandeiras existentes –, os estabelecimentos comerciais pagavam, em média, 2,95% sobre o valor de cada venda no cartão de crédito e 1,59% no caso do débito.

Com o fim da exclusividade entre maquininhas e bandeiras – atualmente, diferentes maquininhas aceitam as principais bandeiras do mercado –, a entrada de novas empresas e o consequente aumento da competição no setor – evidente pelo aumento do investimento em publicidade das credenciadoras –, as taxas passaram a cair e atingiram, no ano passado, o menor patamar da história.

Em 2017, a taxa de desconto média paga pelo comércio nas vendas com cartão de crédito caiu para 2,63%, e, no débito, para 1,48%.

A queda, em oito anos, de 0,32 ponto percentual na taxa média do crédito e de 0,11 ponto percentual na taxa média do débito pode parecer pequena, mas representa uma economia anual de quase R$ 3 bilhões para o comércio, cujas vendas no cartão movimentaram R$ 1,2 trilhão no ano passado (R$ 731 bilhões nos cartões de crédito e R$ 495 bilhões nos cartões de débito).

Há indícios de que também houve redução de despesas dos estabelecimentos com o aluguel das maquininhas, especialmente nos últimos dois anos.

Entre 2015 e 2017, enquanto a participação dos cartões no consumo passou de 27,1% para 29,5% – ou seja, proporcionalmente mais vendas estão sendo realizadas nos meios eletrônicos –, o número de maquininhas caiu de 5,2 milhões para 4,7 milhões, sinal de que houve ganho de eficiência no mercado.

Com diferentes maquininhas aceitando as principais bandeiras e aptas a realizar antecipação de recebíveis seja qual for o domicílio bancário do estabelecimento, os comerciantes podem agora abrir mão de maquininhas e optar apenas por aquelas que apresentem a melhor relação custo-benefício, reduzindo, assim, as despesas com aluguel.

Além disto, a mudança no mix de vendas no cartão, com maior participação relativa do débito, também tem proporcionado maior controle de custos para o comércio.

Em oito anos, o faturamento dos cartões de débito cresceu 136,8% em termos reais (descontando a inflação), praticamente o dobro do ritmo de crescimento das vendas no crédito (70,9%).

As vendas no débito, além de pagarem uma taxa de desconto menor – 1,48% em 2017, contra 2,63% no caso do crédito –, geram economia com juros, já que o estabelecimento comercial recebe mais rapidamente o valor da venda (em 2 dias, contra 30 dias no caso do crédito) e, com isto, não precisa recorrer a operações de antecipação de recebíveis para equilibrar o fluxo de caixa.

Também pode colaborar para o controle das despesas e a gestão do fluxo de caixa a lei aprovada no ano passado que permite a cobrança de preços diferenciados de acordo com o prazo e o meio de pagamento.

A tendência, neste ano, é de continuidade de queda das taxas de desconto, especialmente no caso do débito.

E não somente por causa do aumento da concorrência entre as maquininhas: a partir de 1º de outubro, a tarifa de intercâmbio média de cartões de débito – parcela da taxa de desconto paga ao emissor do cartão utilizado na compra –, atualmente de 0,83%, será limitada a 0,50%.

Com o acirramento da competição entre as credenciadoras, ao menos parte desta redução deve chegar à taxa final paga pelo lojista.

Uma boa notícia para o comércio, que ainda enfrenta dificuldades diante da lenta retomada da atividade econômica e das incertezas em relação ao futuro da economia brasileira.

Por Flávio Calife e Vitor França, economistas da Boa Vista SCPC

 

 

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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