Uma das maiores fabricantes de manequins do país, a Expor Manequins, com faturamento de R$ 42 milhões por ano, produziu 75 mil unidades em 2014, um número recorde.

Com a mais longa e intensa crise que o país já enfrentou, a produção anual caiu para 60 mil unidades – das quais 35% vão para exterior – e não há perspectivas de aumentar.

Se o comércio encolhe, é natural que os pedidos de equipamentos para equipar as lojas também diminuam.

Para driblar os tempos bicudos, a Expor Manequins decidiu lançar um aplicativo que possibilita ao lojista ver em 3D os manequins dentro da loja.

“O comerciante sempre teve muito dificuldade para visualizar um manequim no seu estabelecimento. Isso acaba agora”, afirma Marcos Andrade, diretor da Expor Manequins.

O aplicativo permite que o comerciante escolha o manequim mais adequado para o produto que vende e identifique as melhores posições no ambiente da loja.

A Expo Manequins funciona como termômetro da loja de moda.

Quando a economia vai bem, a demanda por manequins cresce, pois o número de loja que abre é geralmente maior do que o que fecha.

Na recessão, ocorre o inverso. Além de o número de lojas diminuir, o comerciante tende a segurar os investimentos, como a troca ou a reposição de manequins.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Marcos Andrade, que também ocupa o cargo de vice-presidente da Abiesv (Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo).

MANEQUINS

“Não errar no manequim é fácil. O lojista escolhe um modelo branco, sem cabeça, reto, com bom chape e coloca uma roupa nele.

Agora, a pergunta que se faz é a seguinte: Esse manequim está adequado para o produto que ele vende? Muito provavelmente, não.

O manequim precisa estar conectado como o estilo de vida do cliente. Precisa ter postura para contar uma história, revelar a identidade da marca.”

ONLINE E OFFLINE

“Há seis ou sete anos ouvi de pessoas que eu deveria fechar a minha empresa por conta da expansão do e-commerce.

Nunca achei isso porque a compra é uma experiência prazerosa, é uma atividade que gera prazer.

O que vemos hoje são novos modelos de loja e o comerciante precisa criar uma razão para uma pessoa ir até o seu estabelecimento.

Marcas com história para contar, com valores, engajadas com os clientes, ficaram mais importantes. E isso é muito difícil de criar no varejo online.

Hoje, nos Estados Unidos, se fala muito em sensorial merchandising. A loja não deve se preocupar somente com o visual, mas com a música, o cheiro, o touch.

E tudo isso exige um conhecimento grande do cliente, do estilo de vida dele, dos valores que ele compartilha.

Hoje é mais do que sabido que o caminho para o bolso do cliente passa pelo coração. O propósito de uma marca se tornou muito importante.”

VITRINE

“Pesquisas feitas no exterior já mostraram que 85% das pessoas são impactadas pela vitrine e  25% são repelidas pelas vitrines.

Revelaram também que 42% das pessoas são influenciadas pelos manequins. Clique aqui para saber mais sobre manequins.

Uma vitrine, normalmente, precisa ser modificada a cada 15 dias.

Agora, quanto menor o valor dos produtos, mas rapidamente ela precisa ser modificada.”

CRISE

“A crise faz o cliente se concentrar no que tem valor e acaba expondo o lado bom e o ruim da operação.

Algumas operações conseguem encobrir as falhas, outras não, simplesmente fecham. Na Rua Oscar Freire há muitas lojas para alugar e há shoppings com muitos tapumes ainda.

Mas essa situação também cria oportunidade para marcas de rua ir para os shoppings.”

DICAS

“Antigamente era comum o marido montar uma loja para a mulher tocar. Hoje isso não funciona mais. Se for amador, o lojista não sobrevive.

É preciso conhecer muito bem o cliente. E quanto mais eu conhecer o cliente do meu cliente eu consigo sugerir a ferramenta certa, o manequim certo.

O maior problema do lojista hoje não é informação. Informação tem muita. O problema é ele não saber aplicar, como transformar a informação em resultado.

Se a loja diz que vende de tudo está fadada ao fracasso.”

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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