O Sindicato dos Comerciários de São Paulo quer intensificar as parcerias com os lojistas para oferecer vagas aos desempregados do varejo e ajudar na qualificação dos trabalhadores.

A ação já foi testada em uma iniciativa coordenada pelo sindicato em julho deste ano.

A oferta de um grupo de lojas para preencher 6.000 vagas atraiu milhares de pessoas em uma fila gigantesca na porta da entidade, no centro da capital.

Era de se esperar que isso ocorresse em um país com mais de 13 milhões de pessoas desempregadas.

Para a surpresa dos organizadores, entretanto, metade das vagas não foi preenchida por falta de qualificação dos interessados.

É esse um dos pontos que o Sindicato dos Comerciários de São Paulo pretende focar para driblar a grave crise do setor decorrente das novas regras trabalhistas.

A principal fonte de arrecadação dos sindicatos brasileiros sempre foi o imposto sindical, descontado obrigatoriamente do salário do trabalhador uma vez por ano.

A reforma trabalhista, que está completando um ano, acabou com essa fartura e, como consequência, os sindicatos estão desaparecendo.

“O sindicato dos comerciários de São Paulo encolheu e deve encolher mais, mas nós vamos superar essa fase”, afirma Ricardo Patah, presidente da entidade.

Hoje o sindicato representa cerca de 450 mil comerciários na cidade de São Paulo. Já chegou a ter 800 mil trabalhadores em sua base.

Uma alternativa para driblar a falta de recursos é intensificar as parcerias com os lojistas.

Dessa forma, a entidade ajuda a qualificar e a empregar os trabalhadores, ao mesmo tempo em que capta novos sócios, que, por sua vez, têm direito à prestação de serviços médicos, jurídicos e lazer.

O que os comerciantes ganham?

“Quando a loja faz um anúncio para a oferta de vagas, ela tem de pagar alguém ou uma empresa de intermediação de mão-de-obra. No nosso mutirão, não houve custo para os comerciantes”, diz o sindicalista.

“É isso o que queremos fazer com mais frequência e com maior número de lojas, que possam oferecer mais vagas.”

Por meio de parcerias entre o sindicato e os lojistas, de acordo com Patah, ganham os dois lados e os trabalhadores.

Crédito: Sindicato dos Comerciários de SP/Divulgação

Mais de 10 mil pessoas procuram vaga em mutirão pelo emprego
Crédito: Sindicato dos Comerciários de SP/Divulgação

O sindicato oferece capacitação, pessoas treinadas e serviços. E as empresas ajudam com o apoio à sindicalização dos profissionais.

Com o dinheiro da sindicalização, hoje a mensalidade de associado é de R$ 30 por mês, o sindicato conta com uma receita capaz de manter os serviços para os trabalhadores, avalia Patah.

Com 77 anos, o Sindicato dos Comerciários de São Paulo chegou a ter aproximadamente 52 mil sócios até o final de 2016. Hoje são 30 mil.

A receita, de cerca de R$ 1,5 milhão por mês, caiu para R$ 700 mil mensais.

A queda de receita está relacionada principalmente a dois fatores, de acordo com especialistas em mercado de trabalho.

Uma delas é a perda de emprego: sem carteira assinada, o empregado deixa de contribuir voluntariamente para os sindicatos.

A segunda é a mudança na legislação trabalhista, que acabou com a fonte compulsória de arrecadação das entidades – o imposto sindical.

A taxa assistencial ou negocial de R$ 13 por mês, que é cobrada pelos serviços prestados em campanhas salariais e acordos firmados para a categoria, também está deixando de ser paga pelos trabalhadores por orientação das lojas, de acordo com Patah.

“Algumas empresas têm mandado caminhões lotados de funcionários para o sindicato para se opor ao pagamento da taxa. Isso é uma prática anti-sindical que pode ser questionada na Justiça”, diz.

A reforma trabalhista foi política, açodada e focada em interesse empresarial, de acordo com Patah.

“Cadê os 14 milhões de empregos decorrentes da reforma? Diminuíram os processos trabalhistas, mas isso deve voltar a crescer em 2019. O aumento de emprego vem com crescimento econômico, não tirando direitos dos trabalhadores.”

É engano achar que o sindicato de trabalhadores trabalha contra os donos de lojas. “Nós queremos que as lojas cresçam, tenham grandes lucros e gerem emprego”, diz.

“O mutirão para diminuir o desemprego mostrou que um trabalho conjunto é eficaz. Mostramos a cara do desemprego e a sensibilidade de uma entidade sindical.”

  • Com Claudia Rolli, editora

Foto: Mutirão pelo emprego, feito pelo sindicato dos comerciários, reuniu milhares de desempregados na capital paulista

Crédito: Sindicato dos Comerciários de São Paulo/ Divulgação

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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