Uma boa notícia para o lojista. O número de ocupados no mercado de trabalho no país passou de 90,6 milhões para 91,2 milhões de pessoas do primeiro para o segundo trimestre deste ano.

De abril a junho, portanto, havia 600 mil pessoas a mais com trabalho do que no período de janeiro a março, de acordo com dados da Pnad Contínua, com elaboração do Dieese.

Os números do segundo trimestre são os seguintes: 8,8 milhões que estavam ocupados ficaram desempregados ou saíram da força de trabalho, enquanto outros 9,4 milhões de inativos ou desocupados (5,6 milhões e 3,8 milhões, respectivamente) conseguiram uma vaga.

Agora vem o alerta para os comerciantes. De cada quatro postos de trabalho gerados de abril a junho, três foram informais.

Isto é, a maior parte das pessoas que conseguiram um emprego não possui vínculo formal com os empregadores capaz de garantir os direitos trabalhistas, como férias, 13º salário e FGTS.

A taxa de informalidade das pessoas que conseguiram emprego no segundo trimestre deste ano bateu em 74%, o dobro da do mercado de trabalho em geral, de 39%.

Dos novos ocupados, 23% foram trabalhar no setor privado sem carteira assinada, 35% tornaram-se trabalhadores por conta própria (a maioria deles, 86,2%, sem formalização).

Dos que foram trabalhar por conta própria, a maioria das atividades está ligada a trabalhos manuais ou à prestação de serviços.

Os destaques são: vendedores a domicílio (281 mil), agricultores (276 mil), pedreiros (275 mil) e comerciantes de lojas (172 mil).

Para o varejista, esses dados podem significar oportunidade e ameaça, de acordo com Gustavo Carrer, consultor de varejo.

Oportunidade porque, se há mais ocupados no mercado de trabalho, isso significa mais dinheiro nas mãos dos consumidores para gastar.

Ao mesmo tempo, se não há formalidade no emprego, também há mais dificuldade para comprovação de renda na hora de abrir um crediário, por exemplo.

“O aumento da informalidade afeta mais a loja que vende a crédito. O desafio para o lojista é enfrentar essa situação sem correr riscos com alta de inadimplência”, diz Carrer.

Vale lembrar que o rendimento médio do conjunto dos ocupados que acabaram de conseguir uma vaga equivale a menos da metade do que é pago no mercado de trabalho.

No segundo trimestre deste ano, o rendimento médio dos novos ocupados era de R$ 1.023 mensais, e o do mercado em geral era de R$ 2.128 mensais.

A informalidade no mercado de trabalho vem crescendo desde 2016, de acordo com Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese.

“Os dados não são nada favoráveis para os comerciantes porque quem está entrando no mercado de trabalho tem renda que é a metade da de quem está trabalhando”, diz.

Para ele, é bom que a ocupação cresça, “mas a boa ocupação é aquela com capacidade para potencializar o mercado interno. Infelizmente, isso não está acontecendo”.

CAGED

O Brasil criou 57.733 empregos com carteira assinada em outubro, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho.

A criação de vagas foi 32% menor do que a registrada em outubro do ano passado (76.599).

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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