O uso cada vez maior da internet sempre vira assunto nos encontros de lojistas para discutir o futuro do setor.

Uma das questões que sempre se coloca é a seguinte: o que vai acontecer com as lojas físicas?

Para Maurício Morgado, coordenador do Centro de Varejo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), as lojas físicas vão sempre existir, mas com outra função.

“As lojas não vão desaparecer, mas vão ser complementos às operações digitais”, diz ele.

“Vamos precisar de lojas para show room, retiradas de mercadorias, obter informações de produtos”.

Vão sobreviver, de acordo com ele, aquelas que agregam valor no processo decisório de compra, capazes de dar informações, que proveem algo mais para o consumidor.

“As lojas que são apenas depósitos de mercadorias, como a maioria, não devem sobreviver.”

Veja a seguir o que pensa Maurício Morgado sobre temas do varejo.

Omnichannel

As lojas estão cada vez mais embarcando neste modelo, que está deixando as marcas cada vez mais disponíveis.

O grande expoente deste modelo no Brasil é a rede Magazine Luiza, empresa que já ultrapassou a fase de ser multicanal e agora investe fortemente na ideia de plataforma de comercialização.

Grandes redes

A Renner produz resultados consistentes há um bom tempo e é tida como exemplo de empresa com mercadorias fantásticas.

A C&A, apesar de ter passado por um período de menos brilho, é considerada uma empresa inovadora no varejo.

A Marisa também já superou a crise financeira.

Entendo que redes como essas somente não sobrevivem se não estiverem sintonizadas com os novos tempos.

Elas têm público, capacidade de criar produtos, só precisam ser inovadoras e ágeis.

O que precisam é inovar, mudar a mentalidade na administração, no jeito de tocar o negócio, particularmente no lado da comunicação e da criação de produtos.

Algumas dessas redes no Brasil têm quase cem anos. Elas precisam administrar o negócio de um jeito jovem, o que significa trazer gente nova sempre para a empresa.

Forever 21

A crise da Forever 21 tem mais a ver com problemas internos do que com queda do modelo fast fashion, moda rápida e descartável.

A rede teve grande dificuldade para adaptar a novos tempos, não entrou na internet com força, nas redes sociais com os jovens, que são grandes consumidores de fast  fashion.

Faltou sintonia com o público jovem.

Polos de varejo

Assim como a China virou um grande fabricante de vestuário no mundo, é natural que a região da Rua 25 de Março, em São Paulo, se se transforme num grande fornecedor de roupas para o Brasil.

É uma questão de escala, não faz sentido estar descentralizado, e se consegue preços mais competitivos com a compra centralizada.

Como aconteceu com os Estados Unidos, que importam da China, faz sentido que o comércio de pequenas cidades ‘importem’ de fornecedores da Rua 25 de março.

Perspectivas para o setor

Os empresários do varejo estão mais otimistas. Não estão dando pulos de alegria, mas sempre falam em recuperação, e voltam a fazer planos.

Eles estão cautelosos e imaginam que a economia está no caminho certo.

Os grupos de lojistas que acompanho estão sintonizados com a política econômica do governo, não necessariamente com o presidente Jair Bolsonaro, mas com o ministro Paulo Guedes.

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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