Definitivamente, abril, maio e junho de 2020 serão meses que os lojistas do planeta vão querer tirar do calendário.

No Brasil, no segundo trimestre deste ano, a queda no volume de vendas pode chegar a 7% em relação a igual período do ano passado.

Essa deverá ser a maior queda trimestral do varejo brasileiro desde 94, de acordo com estimativa de Fabio Silveira, economista e sócio-diretor da MacroSector Consultores.

Para Silveira, o tombo remete ao ano de 1990,quando Zélia Cardoso de Mello, a então ministra da Economia, confiscou o dinheiro dos brasileiros.

“Vai ser uma trombada monstruosa, com reflexo pelo menos até 2021. É uma puxada de freio muito forte e em escala global”, afirma.

A pandemia do novo coronavírus tem levado a projeções assustadoras.

O presidente do Banco Central de St. Louis, James Bullard, prevê, no segundo trimestre, uma taxa de desemprego de 30% nos Estados Unidos. Hoje é de 4%.

Equipe do Morgan Stanley projeta queda de 30% do PIB norte-americano no segundo trimestre deste ano.

Somente no mês de abril, de acordo com Silveira, a queda no volume de vendas no varejo brasileiro deve bater em 20%, na comparação com igual mês de 2019.

E isso, diz ele, considerando alguma reativação de atividades na segunda quinzena de abril, em razão de medidas econômicas adotadas pelo governo.

Entre as medidas estariam o afrouxamento do crédito e a redução de juros, além de políticas de expansão de gastos do governo, como a transferência de renda para os mais pobres.

“Este surto é inédito na história da humanidade.”

De acordo com Silveira, as medidas tomadas pelo governo nos Estados Unidos são fundamentais para o futuro da economia mundial.

“Se não der certo por lá, vamos para um buraco que ninguém sabe o tamanho.”

O fato é que o Brasil, diz ele, não é dono do seu destino, assim como outros países da América Latina, depende do êxito de políticas aditadas nos EUA, na Europa e na China.

“O mercado financeiro precisa continuar de pé, e em escala global, para financiar as exportações brasileiras, entre outras atividades, e o próprio crédito doméstico.”

A interligação do Brasil com resto do mundo é completa, diz ele.

“Não adianta fechar as janelas, as fronteiras, como a Coréia do Norte, para buscar o seu destino. A Coréia do Norte faz isso porque tem o apoio da China.”

Se a política de expansão de gastos e monetária dos EUA não der certo, diz ele, se o pacote de US$ 2 trilhões não tiver êxito, o mundo vai ter de buscar outro caminho.

“E o pior é que ninguém sabe qual será, algo inédito.”

A expansão monetária e de gastos que ocorreu a partir de 2009 com o governo Obama, diz ele, demorou para ter algum resultado, mas deu certo.

A expansão dos empréstimos salvou bancos e empresas, com injeção de dinheiro na Ford e na GM, por exemplo.

“A receita funcionou tanto que o governo atual não pensou duas vezes e, em dias, colocou em ação um plano que, em muitos aspectos, é parecido com o de 2009, quase triplicando o valor.”

Na ocasião, o montante era US$ 800 bilhões e, agora, de US$ 2 trilhões.

O mundo espera, de acordo com Silveira, que essa política adotada no EUA dê certo ao longo dos próximos anos, tanto que as Bolsas reagiram positivamente nos últimos dias.

“Está tudo no plano da expectativa. Economia não é ciência exata. Vivemos de crenças.”

“Embora uma parte da economia tenha quantificação, série histórica de comportamentos, trata-se de passado. O futuro sempre reserva surpresas. Desta vez, o problema é sanitário, com impacto desconhecido até momento.”

Se as medidas adotadas nos EUA tiverem efeito, diz ele, o Brasil vai enfrentar uma depressão forte no segundo trimestre, mas já verá alguma recuperação no terceiro.

Deve ser assim, terceiro trimestre melhor que o segundo e quarto trimestre melhor que o terceiro.

Mas o varejo ainda encerra o ano com queda de 2% no volume de vendas. Isso considerando medidas adotadas pelo governo para a retomada do consumo.

A projeção da equipe da MacroSector era de o país fechar este ano com déficit primário (a relação entre despesa e receita) de R$ 120 bilhões.

Agora, projeta déficit da ordem de R$ 230 bilhões a R$ 250 bilhões.

“Com ou sem Paulo Guedes (ministro da Economia), o governo vai ter de gastar mais para resolver o problema da economia.”

“Não tem de olhar para a receita e, talvez, recorrer às reservas internacionais, de US$ 350 bilhões.”

Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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