O expressivo e contínuo crescimento do comércio eletrônico nos últimos anos, particularmente das redes que também possuem pontos comerciais, criaram a oportunidade de utilizar os estoques e a estrutura das lojas como centros de distribuição das operações on-line.

Mesmo antes da pandemia, tanto o delivery a partir da loja como o “clica e retira”, já vinham ganhando força em varejistas de todos segmentos: da moda ao alimentício, passando pelas farmácias e construção.

A integração de canais visando conquistar eficiência operacional e logística, reduzindo estoques ociosos e rupturas, que já acontecia, ganhou um enorme impulso com lojas fechadas ao público e a necessidade de isolamento social.

Muito se questiona sobre como tornar as lojas físicas mais rentáveis, viabilizando a manutenção dos pontos. Talvez a resposta possa estar vindo exatamente da origem da sua obsolescência: atender localmente as entregas do e-commerce!

Porém, assim como seu papel está mudando, seu formato e competências também devem evoluir.

Novos layouts, novas tecnologias e profissionais atualizados serão necessários, uma vez que os consumidores escolherão suas lojas preferidas de maneira mais criteriosa, utilizando parâmetros diferentes do passado recente.

Clientes ainda mais empoderados, mas também dispostos a assumir alguns sacrifícios para ganhar tempo e evitar o contato com outras pessoas. Etapas antes realizadas por vendedores, atendentes e operadores de caixa, serão incorporadas pelos consumidores, através de seus smartphones ou de equipamentos de autoatendimento.

Uma nova jornada de compras se desenha, mais autônoma, simples, com o mínimo de fricção.

Já na retaguarda, com a crescente demanda dos canais de venda on-line, a operação se torna mais intensa e crítica, exigindo ferramentas e métodos de gestão mais modernos e precisos.

Além disso, com todas essas mudanças acontecendo, a operação ficará mais vulnerável a perdas, outro grande desafio para aos varejistas, até então mais acostumados com a dinâmica das lojas.

A combinação do compartilhamento de estoque da loja física com os pedidos on-line e a respectiva coleta de produtos na área de venda, proporcionam um enorme risco para perdas de todo tipo, pois surgem novas formas de desvio de mercadorias, furtos e potenciais erros operacionais.

Portanto é quase que mandatório implantar sistemas que consigam monitorar e controlar a movimentação de produtos em todas as etapas. Do recebimento aos estoques de fundo e da loja, da coleta do pedido, conferência e despacho até que ele chegue corretamente nas mãos do cliente, seja retirando na loja, em armários (lockers) ou entregue em sua casa.

Outra reflexão importante diz respeito ao tamanho e a localização das lojas. Será que esse novo modelo exigirá lojas maiores ou menores? O que deverá ocupar mais espaço: área de vendas ou estoques e expedição? Os pontos deverão ser os mesmos?

Permeando tudo isso temos as tecnologias de informação que até então foram desenhadas e aperfeiçoadas visando uma operação típica de loja e agora tem que incorporar demandas de centros de distribuição e logística. São vários sistemas distintos, na maioria das vezes de fornecedores diferentes a serem integrados e harmonizados.

Toda grande transformação exige realinhamento de processos, aquisição de novas tecnologias e preparação do pessoal. Não dá para fazer isso tudo sozinho, de forma isolada, o varejo precisará envolver seus fornecedores e parceiros. Esse novo modelo que está para surgir, será resultado de uma criação e construção mais colaborativa, certamente mais eficaz, produtivo e aderente aos novos desejos dos consumidores.

Gustavo Carrer é head de desenvolvimento de negócios na Gunnebo e editor do portal varejoemdia.com.

Escrito por gustavocarrereditor

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