Qual será o comportamento do freguês, assim que a doença capaz de parar o mundo, a covid-19, estiver sob controle?

Agora, bem no olho do furacão, nem os mais experts no assunto conseguem traçar um perfil do consumidor pós-coranavírus.

Uma pesquisa recente da First Insight, empresa que estuda o comportamento do cliente, sugere algumas pistas em relação a sentimentos.

A maioria dos entrevistados na Europa admite estar mais segura em redes de supermercados (54%) e drogarias (50%).

Grandes varejistas aparecem em terceiro lugar (45%) e pequenas lojas locais (43%), em quarto.

Os shoppings centers são apontados como os espaços menos seguros para fazer compras (33%).

A pesquisa dá outras dicas para os lojistas: 80% dos entrevistados preferem usar as suas próprias máscaras faciais e luvas (70%) em vez das fornecidas por lojistas.

Mais: 80% dos consultados admitem que o novo coronavírus afetou significativamente as suas decisões de compra.

“Como o consumidor vai sair desta pandemia? Não cheguei a nenhuma conclusão. Mas o que ele diz hoje está muito influenciado pelo ambiente em que vive”, afirma Nelson Barrizzelli, consultor de varejo.

“É lógico que para o cliente, hoje, supermercados e farmácias são os locais mais confiáveis para comprar porque são esses os espaços que ele frequenta.”

Os shoppings continuam fechados e, portanto, “já aparecem como locais perigosos.”

Aliás, alguns centros de compra que abriram as portas registram queda de até 80% nas vendas em relação ao faturamento identificado antes da pandemia.

Para Barrizzelli, o comportamento do consumidor pode variar de acordo com o contato que ele teve com o vírus.

Isto é, quem teve a doença de forma mais leve pode voltar a ter os hábitos de antes na medida em que as restrições forem diminuindo.

“Neste caso, quem gosta de shopping, vai voltar a ir ao shopping.”

Quem foi infetado pelo novo coronavírus e ficou entubado, deverá ser bem mais cauteloso em relação a lugares.

Para Michel Cutait, consultor de varejo, em um primeiro momento, os consumidores podem compensar “o sacrifício da quarentena” com satisfações imediatas.

Esse comportamento pode favorecer até o mercado de produtos supérfluos. “Porém, será algo obtuso, em certas áreas ou regiões.”

Ao mesmo tempo, na avaliação de Cutait, haverá uma resistência à permanecer em locais com muitas pessoas.

“Máscaras, álcool em gel e outras medidas para a higiene pessoal farão parte do nosso dia-a-dia. Provavelmente, as pessoas pensarão com mais cautela antes de comprar, investir, gastar e usar os recursos que têm disponíveis.”

Alguns recursos antes pouco utilizados, diz ele, como reuniões online, webinars e uso de plataformas de vídeo devem ser mais utilizados, diminuindo a necessidade de viagens a trabalho e até de lazer.

Gustavo Carrer, consultor de varejo, também acredita, num primeiro momento, em compensação, o que significa aumento de consumo de certos produtos.

“Mas esse comportamento não deve durar muito, até porque as pessoas estão conscientes de que a situação do país não está nada boa. Não dá para ser indulgente para sempre.”

Um movimento, ainda que temporário, pode acontecer, diz ele, que é a preferência do consumidor por lojas de rua.

“Quando todo mundo tiver vacinado e a doença controlada, as pessoas podem voltar a ter os hábitos de antes da pandemia.”

O que é certo é que os shoppings vão ter de repensar o modelo de negócio. “Os custos terão de diminuir para cobrar menos do lojista, tornando a operação viável”, diz Carrer.

“A estrutura de custos vai ter de mudar para poder acomodar os lojistas, que vão faturar menos e ter menos capacidade para pagar o aluguel.”

Esse corte de custos, na sua avaliação, deve acontecer em publicidade e propaganda, serviços, decoração e mimos para os clientes.

Os lojistas, diz, também vão ter de se preparar para um patamar menor de vendas.

“Com academias, cinemas e praça de alimentação fechados e com horário de funcionamento reduzido, o fluxo de pessoas nos shoppings será menor.”

Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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