O varejo paulista deixou de vender R$ 69 bilhões em 13 semanas, terminadas em 13 de junho. Em todo o país, a perda foi de R$ 210 bilhões.

Para chegar a este número, a CNC (Confederação Nacional do Comércio) cruzou dados de faturamento do setor (IBGE) e de circulação de pessoas em áreas comerciais (Google).

Chega-se às perdas ou a quanto o comércio deixou de vender, comparando a média de vendas por semana do início do ano até 15 de março com o faturamento semanal após a quarentena.

As perdas do varejo estão diretamente ligadas à taxa de isolamento social, de acordo com a CNC. De 22 a 28 de março, o comércio deixou de vender R$ 23 bilhões em todo o país.

De 7 a 13 de junho, a perda foi de R$ 12,4 bilhões, justamente quando algumas cidades brasileiras iniciaram o processo de reabertura dos negócios.

“As perdas semanais foram diminuindo devido à menor adesão ao isolamento social e às ações de lojistas para depender menos da venda presencial”, diz Fábio Bentes, economista da CNC.

Os setores considerados não essenciais, especialmente os de roupas, calçados, eletroeletrônicos e carros, foram os que mais sofreram neste período, de acordo com a CNC.

O baque foi tão grande que até mesmo grandes grupos do varejo perderam fôlego financeiro.

A Restoque, empresa de moda dona das marcas Le Lis Blanc e Dudalina, protocolou um plano de recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 1,5 bilhão.

A InBrands, dona das marcas Ellus, Richards, Salinas, VR e Alexandre Herchcovitch, deve seguir o mesmo caminho.

A rede espanhola Zara anunciou o fechamento de mil lojas no mundo e existe a expectativa de encerramento de algumas delas também no Brasil, de acordo com especialistas.

“As lojas de roupas foram pegas bem na hora em que estavam recebendo a coleção de inverno”, afirma Stefanos Anastassiadis, sócio-diretor da Controvento, uma das confecções mais antigas do bairro do Bom Retiro.

Desde então, confecções e lojistas estão em negociação para tentar mininizar, cada um de seu lado, as perdas. “Os pedidos dos nossos clientes foram todos cancelados”, afirma.

Anastassiadis acredita que ainda pode vender a coleção de inverno até setembro porque apostou em peças mais leves, e não para um inverno rigoroso.

De acordo com ele, as confecções não estão produzindo nem a coleção de inverno nem a de verão. “Estamos andando no escuro e, nesta situação, é melhor andar a passos curtinhos.”

Um passeio pelas principais ruas do Bom Retiro, diz ele, expõe nitidamente a situação dos lojistas.

Logo no primeiro quarteirão da Rua José Paulino, diz, é possível ver uma porção de lojas com placas ‘vende-se’ e ‘aluga-se’.  Situação se repete em outros trechos da rua e arredores.

O cenário para o varejo, de acordo com Bentes, da CNC, está atrelado à pandemia.

“A flexibilização ajuda o comércio. Só que resolve um problema e cria outro. Com mais circulação, aumenta a chance de contaminação, podendo voltar restrições.”

Para ele, se houvesse mais disciplina, o comércio ficaria fechado por dois meses, mas depois se recuperaria, com o efeito positivo do isolamento social.

“Isso não aconteceu no país, e ainda houve politização do problema. O comércio deverá ter uma recuperação muito lenta”, diz Bentes.

Os números do setor revelam que o comércio vendeu em abril o equivalente a janeiro de 2010, de acordo com o IBGE. “Isto é, o setor regrediu dez anos.”

LEIA MAIS: Famílias sem fôlego para gastar

 

Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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