Depois da rápida expansão em seus primeiros anos de estrada, o Peg-Pag pisou no freio.

Optou por consolidar a sua liderança no mercado paulistano, inaugurando apenas uma loja (a nona), entre o fim da década de 1950 e o início da seguinte, enquanto se preparava para um novo e ambicioso projeto: tornar-se a primeira cadeia de supermercados a atuar nas duas maiores metrópoles do país.

O intento virou realidade em março de 1963, com a abertura da sua primeira unidade no Rio de Janeiro, em um dos corredores mais badalados da cidade, a rua Visconde de Pirajá, em Ipanema. “Pegue mais-pague menos”.

A maior rede de supermercados de São Paulo agora na Guanabara para bem servir”, diziam anúncios publicados em jornais cariocas naquele período.

O recém-chegado logo mostrou que não estava para brincadeiras.

Nos 13 meses seguintes, colocou em operação outros três pontos de venda em bairros igualmente valorizados, Leblon, Copacabana e Grajaú, seguindo a estratégia adotada em sua praça de origem.

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Reação à concorrência: abertura em dose dupla, em 1970

Em agosto de 1965, adicionou um novo feito ao seu currículo inovador com a instalação de uma loja-âncora no Shopping Center do Méier, na zona norte da ex-capital federal, o primeiro autointitulado estabelecimento do gênero no país.

Não por acaso, portanto, Peg-Pag já era, havia algum tempo, sinônimo de autosserviço no Rio e em São Paulo, para o bem ou para o mal.

“Se você prefere o gênero ‘peg-pag’, desembarque no L’Amour [casa noturna paulistana], pois lá tem mulher saindo pelo ladrão de tanta que existe”, recomendava a coluna Dona Yayá, do Diário da Noite, em 1° de agosto de 1963.

Na Pauliceia, o negócio comandado por Fernando Pacheco de Castro começou a enfrentar, a partir de meados da década de 1960, um concorrente de peso.

Era o Pão de Açúcar, que se tornara, em 1965, proprietário de 11 lojas, por meio da aquisição das três unidades do Sirva-se.

Para fazer frente ao rival, o Peg-Pag reforçou sua estrutura em São Paulo.

Os supermercados na capital paulista saltaram de dez para 21, entre 1967 e 1970, período em que outro recurso inédito no país foi agregado ao cardápio da rede: circuitos internos de TV nas lojas, para a promoção de mercadorias.

O verbo inovar também se estendeu à mecânica de financiamento da expansão a toque de caixa, com a abertura do capital, a primeira realizada por uma empresa do setor no Brasil.

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Fernando Pacheco de Castro: referência histórica no setor

Em 1970, as ações Peg-Pag OP passaram a ser negociadas nas bolsas de valores do Rio e de São Paulo.

Ousado e criativo, Castro ainda encontrava tempo para se dedicar à valorização institucional do segmento.

Foi por sua direta iniciativa que surgiu, em novembro de 1968, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a qual presidiu até 1976.

“O pequeno comerciante não tem condições de concorrer com as grandes organizações, em matéria de preço, porque compra pouco e investe pouco também.

Vender muito e barato é trunfo dos supermercados”, afirmou o titular da Abras ao Jornal do Brasil em janeiro de 1969.

Ninguém seria capaz de imaginar, naquele momento, que o ciclo dourado do Peg-Pag, a primeira rede nacional de supermercados, estava próximo do fim.

Mas foi justamente isto o que ocorreu poucos anos depois, como veremos no próximo capítulo de Memória Viva.

Dario Palhares, jornalista e escritor, especial para o varejoemdia

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Escrito por varejoemdia

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