Encher o tanque do carro ou o carrinho do supermercado? Comprar roupas, eletrodomésticos ou remédios? Não tem jeito, o brasileiro está mais seletivo na hora de gastar.

A inflação em alta (em junho o IPCA chegou a 1,26%, o maior desde 1995 para o mês), a falta de confiança na melhora da economia e a perspectiva de renda e salário se recuperarem em ritmo lento explicam parte desse comportamento do brasileiro.

Os dados do varejo de maio, divulgados pelo IBGE, revelam o impacto da compra mais “seletiva” do consumidor em todo o comércio.

Os resultados desiguais entre os oito grupos analisados na pesquisa mensal de vendas do setor refletem como diferentes segmentos do varejo reagiram à paralisação dos caminhoneiros, absorveram os efeitos da alta do dólar e enfrentaram a escolha mais rigorosa dos consumidores.

Cinco deles tiveram resultados negativos enquanto três se mantiveram no azul na comparação dos resultados em maio deste ano sobre igual mês de 2017.

Enquanto a venda de combustíveis caiu 7,9%, a de produtos vendidos em super e hipermercados cresceu 8,5%.

A venda de eletrodomésticos recuou 3,3%, assim como a de tecidos, roupas e calçados, com queda de 3,6%.

No grupo de itens farmacêuticos, perfumaria e higiene, as vendas avançaram 4,5%.

“O consumidor está claramente fazendo escolhas para gastar”, diz o economista Fabio Silveira, sócio-diretor da consultoria MacroSector.

Com esse cenário, o Banco Central reviu suas projeções de consumo em seu relatório de junho e cortou de 3% para 2,1% a previsão de alta para os gastos das famílias no ano.

“A pequena melhora nos salários neste ano e no nível de pessoal ocupado, e o crédito em patamar um pouco maior neste ano do que em 2017 está fazendo com que o consumidor despeje um pouco mais de recursos no comércio”, afirma.

Na média dos oito segmentos pesquisados, as vendas do comércio subiram 2,7% em maio sobre o mesmo mês de 2017.

A consultoria prevê crescimento do comércio para 2,5% neste ano – um ponto percentual abaixo do que inicialmente projetava no início de 2018. No ano passado, o setor cresceu 2,1%.

“A greve de 11 dias dos caminhoneiros em maio desorganizou o sistema produtivo e a distribuição de mercadorias afetando o abastecimento no país. Mas o câmbio no patamar de R$ 3,80 a R$ 3,90 teve forte impacto no preço de vários insumos, principalmente no de combustíveis e explica em parte até a queda no consumo”, diz Silveira.

Por região, houve aumento no volume de vendas em 20 das 27 unidades do país, segundo os dados do IBGE. Os destaques positivos foram para Roraima (11%), Amazonas (9,3%) e Rio Grande do Norte (9%).

Na contramão,  Distrito Federal (-2,5%) e Mato Grosso (-2,1%) tiveram  as taxas negativas mais elevadas .

Para o diretor da MacroSector, o nível relativamente controlado de inadimplência do consumidor deve evitar desempenho mais fraco do comércio varejista neste ano e sustentar as vendas.

IMPACTO

A CNC (Confederação Nacional do Comércio) também revisou para baixo a projeção de crescimento do varejo ampliado, categoria que considera dez segmentos do comércio, incluindo a venda de veículos/autopeças e de material de construção.

O que fez a entidade rever sua expectativa, de 5% para 4,8%, foi o impacto da paralisação dos caminhoneiros em maio. O setor teve queda nas vendas de 4,9% no mês, o que representou perda de R$ 7,4 bilhões.

Foi a primeira queda do ano e o pior resultado para meses de maio em mais de 15 anos de levantamentos da série, segundo o economista Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC.

“Embora as significativas quedas provocadas pelas paralisações de maio estejam restritas ao terceiro bimestre de 2018, dificilmente o ritmo de vendas verificado nos cinco primeiros meses do ano (6,3% ante o período de janeiro a maio de 2017) se manterá no segundo semestre”, afirma Bentes.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O VAREJOhttp://www.macrosector.com.br/

Foto: Paulo Cesar Rocha/pcrphotosampa

 

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Escrito por Claudia Rolli

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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