O Brasil deve viver mais uma onda de fechamento de lojas em 2020, podendo ultrapassar os piores números já registrados no país.

A recessão que teve em início em 2014 resultou em um fechamento 220 mil em 2015 e 2016.

Com a pandemia do novo coronavírus e seus efeitos, os números neste ano podem ser piores, de acordo com Fábio Bentes, economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio).

“Fica muito difícil fazer projeções por conta do apagão estatístico sobre o desemprego. Mas, com certeza, este será um ano perdido, com fechamentos de milhares de lojas.”

Em fevereiro, a CNC projetava crescimento de 4% a 5% para o varejo ampliado e abertura de 18 mil lojas (saldo entre abertas e fechadas). Hoje o cenário é o oposto.

O tamanho da crise no varejo, diz ele, pode depender de como será o processo para a abertura do comércio e do setor de serviços.

“Flexibilizar a abertura agora para voltar a fechar mais lá na frente pode ser ainda pior.”

A taxa de desemprego iniciou este ano com tendência de queda, pouco superior a 11%. Agora, economistas falam que uma taxa otimista seria abaixo de 20%.

“É um cenário inédito para o consumo. Hoje, numa projeção mais otimista, a queda do PIB brasileiro seria de 5%”, diz Bentes.

Quem poderia imaginar um cenário tão desastroso como este para o Brasil e para o mundo.

Para o Dia das Mães, tudo indica que a queda de vendas do varejo deve atingir 30% na comparação com igual período do ano passado, de acordo com a CNC.

Para Bentes, nem a venda online, que deve estar crescendo, vai conseguir amenizar os efeitos da pandemia do novo coronavírus na segunda data mais importante para o varejo.

Mesmo quem não perdeu o emprego e continua recebendo o salário normalmente, diz ele, vai pensar duas vezes antes de abrir a carteira.

Tudo indica que o país e o mundo deverão passar por uma grande retração econômica e este medo faz o consumidor cortar gastos.

O socorro financeiro do governo às pessoas físicas e jurídicas pode ter impacto positivo em 2021, na avaliação de Bentes, mas ainda de forma branda.

“A economia não deve cair em 2021, mas para voltar ao patamar de crescimento pré epidemia deve demorar uns dois anos.”

Para tentar amenizar o efeito tão dramático no consumo, lojistas estudam a possibilidade de transferir o Dia das Mães para junho.

 

Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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