Nos últimos dois anos, dezenas de marcas com conceito de luxo desistiram do Brasil, de acordo com a Abrael (Associação Brasileira das Empresas de Luxo).

Eis algumas delas: Longchamp (bolsas), Kate Spade (bolsas e roupas), Lanvin (roupas), Vacheron Constantin (relógios), Laudurée (doces), Freddy Perry (camisetas), Vilebrequin (moda praia).

Outras reduziram a operação, pelo menos em alguns mercados. Cartier (relojoaria) e Sephora (perfumes e maquiagem) fecharam as suas lojas no shopping Village Mall, no Rio de Janeiro.

A mais intensa e longa crise que o Brasil enfrentou não poupou nem o mercado de luxo, de acordo com especialistas no setor.

E isso, não pela falta de dinheiro do consumidor acostumado a comprar peças e acessórios de marca, mas, sim, pela falta de entusiasmo, motivação e confiança no país.

O cliente da camada mais alta da piramide de renda costuma gastar, de acordo com pesquisas, quando está empolgado com determinada situação.

De cada 100 consumidores de artigos de luxo, 70 compram produtos caros para recompensa pessoal, de acordo com pesquisa do instituto Ipsos, por encomenda da Luxury Marketing Council (LMC), associação que reúne cerca de 800 empresas que atuam no setor.

Num país em crise, com política conturbada, eleição presidencial à vista e sem perspectivas em relação ao futuro, a disposição de gastar diminui também para os endinheirados.

Pesquisa realizada entre abril e julho do ano passado pela consultoria MCF, especializada no mercado de luxo, revelou que os principais obstáculos para crescimento das grifes no país foram a conjuntura política-econômica (para 81% das marcas consultadas) e a carga tributária (65%).

O potencial do mercado brasileiro, contudo, é algo que ainda empolga algumas marcas estrangeiras, especialmente as que já estiveram por aqui e com lojas próprias.

A Swatch, empresa suíça de relógios com conceito de luxo, presente em mais de 100 países, decidiu voltar a crescer no Brasil, mas com um parceiro brasileiro.

Freddy Rabbat, que atua há quase 30 anos no mercado de luxo e presidente da Abrael, será o responsável pela distribuição dos produtos da marca no Brasil.

O empresário, que trouxe para o mercado brasileiro a grife alemã Monblanc no final da década de 80, já distribui, desde 2016, os relógios da suíça TAG Heuer no país.

A Swatch suíça já teve três lojas próprias e 25 franquias no Brasil e esteve presente em cerca de 650 multimarcas de relógios. Nos últimos cinco anos, porém, experimentou um caminho inverso: enxugou a operação.

A ideia agora é voltar a ter toda presença até maior no país com o distribuidor brasileiro.

O plano de Rabbat é abrir 15 franquias da Swatch até 2019 e colocar a marca novamente em joalherias.

Os dois pontos de vendas da Swatch – no shopping Iguatemi, em São Paulo, e no Barra Shopping, no Rio de Janeiro – já estão sob os cuidados de Rabbat.

“Existe luz no fim do túnel, e o empreendedor brasileiro acredita nisso”, afirma ele.

A Swatch produz todos os relógios em Biel, na Suíça. A produção é da ordem de 15 milhões de unidades por ano.

O maior mercado da marca são, por ordem, Estados Unidos, China e países da Europa.

Todos os modelos da marca, que custam de R$ 300 a R$ 1.500, estarão disponíveis no mercado brasileiro.

De acordo com Rabbat, o governo brasileiro tem estimulado a compra de artigos de luxo fora do país, já que o imposto de importação desses produtos varia de 20% a 35%.

Para o consultor Carlos Ferreirinha, presidente da MCF, neste momento, as marcas de luxo estão “em fase de observação do mercado.”

Chanel, Cartier, Louis Vuitton e Gucci estão em compasso de espera para ver se mantém, expandem ou enxugam os negócios no Brasil.

Assim como a Swatch, outras grifes estrangeiras decidiram firmar parcerias com empresários brasileiros para manter a marca por aqui.

Desde 2015, a norte-americana Ralph Lauren é representada no Brasil pelo grupo JHSF, que também distribui a marca italiana Emilio Pucci.

A IRetail, empresa do grupo Iguatemi, já representa as marcas Goyard e Diane Von Furstenberg.

“Um dos caminhos para as marcas que não estão acreditando no Brasil é buscar parcerias locais, como acontecia há 15 ou 20 anos, em vez de investir diretamente”, afirma Ferreirinha.

Se fizer as reformas que precisa, com regras que facilitem a produção e a distribuição de mercadorias, o Brasil tende a ganhar mais produção, emprego, consumo e a entrada maciça de investidores estrangeiros, e não somente do setor de luxo, de acordo com Rabbat.

 

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Escrito por Fátima Fernandes

Jornalista especializada em economia, negócios e varejo

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